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Num mundo onde as pessoas valem o sucesso que alcançam profissionalmente, eu me cobro em alguns momentos por estar emburrecendo. Eu fui uma aluna exemplar, e mesmo que nunca tenha me formado, ser mãe não é uma decisão fácil.
De fato, não estou realizando nenhum grande projeto e nem mesmo uma alta transação financeira. Não tenho nenhum surto criativo e nem estou gerenciando uma grande empresa. Não tenho colegas de trabalho e tampouco saio para tomar um chopinho no final do dia. E também não tenho a maior medida do ser humano da contemporaneidade: o salário no final do mês.
Mas apesar disso tudo, tenho o maior presente: ser mãe por inteiro.
A infância dele terá cheiro de bolo de chocolate, leite batido e giz de cera. Só sendo mãe, eu descobri o verdadeiro amor. Incondicional, aquele que dói, que não impõe condições, que culpa… até por ter dado comida demais. E me obriga a reinventar-me a cada dia, para ganhar o sorriso mais verdadeiro que já vi. Mostra que a felicidade está nas coisas mais simples. E que futuramente eu me tornarei órfã do meu próprio filho.
Ele está crescendo a cada dia, sem pedir nenhuma licença à vida. Então eu acabo indo até a cama dele todas as noites para ouvir sua respiração, sua alminha ainda tão pura. Não quero perder um minuto sequer. Não quero pensar mais tarde que não fiz o suficiente, eu quero poder dar a ele todos os sorvetes que ele puder tomar. Não quero me exilar do meu filho, pois em momento algum desejei que ele dormisse logo para que eu pudesse descansar. Estou começando a aprender o valor da vida e desejo é que ele fique mais tempo acordado, pois sei que no futuro outros interesses virão… e não mais serão um hipopótamo roxo, uma fraldinha e um coelhinho azul.
“Nossos filhos não são nossos. Eles são filhos da vida ansiando pela vida.”
Friedrich Nietzsche